sexta-feira, 28 de abril de 2017

Solidão (Éder Alves)

 Cercado pelas pessoas de sempre, vejo sorrisos,às vezes forçados e até falsos, às vezes reais e fiéis.
Um vazio me invade e tudo que antes eu achava ser importante passa ser desprezível .
Às vezes nesta vida por sermos boas pessoas, quando erramos minimamente, somos julgados e condenados brutalmente.
Então nos perguntamos:
Vale realmente a pena fazer parte deste jogo de cartas marcadas?
Vale sermos tão translúcidos?
Mostrar o verdadeiro amor?
E se quem amamos não se entregar na mesma intensidade à nós?
Ao passar mais uma noite em claro colhendo as consequências de decisões mal tomadas, sinto como se nada fizesse sentido; como também não tem sentido levantar com a cara amassada pelo travesseiro sem sequer ter pegado no sono.
Assim passo dias e meses, quando percebo perdi minha vida me deixando levar... 
Vida que me traz muitas alegrias e às vezes lágrimas.
Mas penso que chorar não é fraqueza e muitas vezes  é o que temos por estar sozinhos, as lágrimas são companheiras.
O choro é um sentimento sendo derramado, como se não pudéssemos comportar-lo internamente, assim ele transborda em forma de lágrimas.
É um recurso que usamos às vezes até sem perceber para que soframos menos com a vida, pois o choro em si é um consolo.
E talvez isso já fosse pesado o suficiente para se fazer alguma indagação.
Sinto por fim ter vivido a vida que esperavam de mim, e mesmo estando rodeado de pessoas, vivi uma grande solidão; morrendo de fome em um grande banquete.
Então neste momento volto a mim e me reformo internamente , pois para amar alguém tenho que me reinventar e fazer uma grande mudança, uma reviravolta em minha vida .
E quem permanecer comigo provará que me ama de verdade, quem for embora não fará falta, pois mesmo estando comigo me deixaram afundar neste mar que se chama solidão.

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